Quando a aula vira performance?
Estamos sofrendo um sentimento de performance, em que tudo é atuação.
A sala de aula precisa mudar. Inevitável. A forma como nos relacionamos com informação e conhecimento obrigatoriamente se transformou, e isso apresenta desafios enormes para o fazer docente. Estamos em um momento único da história em que tudo se volta ao desinteresse.
Aquela aulinha tradicional, bancária, não tem mais sentido – se é que um dia teve, não é? Em uma geração hiperconectada, o desinteresse por essa aula é rápido. Eles sentem, nós sentimos. Só que fica parecendo que precisamos ter uma necessidade constante de inovar. O grande problema: quando nossa inovação virou performance?
Vez ou outra, encontro e converso com colegas que estão meio perdidos sobre o que fazer com o desinteresse. Estão o tempo todo tentando inovar a sua prática pedagógica, fazer coisas diferentes, ser engraçados, fazer uma aula teatral. Tudo bem.
Estamos sofrendo um sentimento de performance, em que tudo é atuação.
Será por causa das redes sociais? Não sei. Só que o grande problema da performance, na sala de aula, é a expectativa. A próxima aula precisa ser sempre melhor, mais divertida. E uma boa aula não é feita necessariamente de jogos o tempo inteiro, de sala de aula invertida, de invenções mirabolantes.
Em tempos de conhecimento liquido, de informações dispersas, temos a necessidade e responsabilidade de uma aula sólida, bem planejada, com conhecimento aprofundado. Temos a necessidade hoje de fugir da aula bancária, mas não podemos cair síndrome pedagógica da performance
Pra fugir disso, a gente precisa construir outra coisa, talvez. Precisa ter conexão com o popular, com o vivido cotidianamente, ter diálogo, construir junto, atender necessidades, mas também o conhecimento. Fica pra pensar: o quanto estamos sofrendo de uma síndrome pedagógica da performance ou ensinando de verdade?



